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TEXTOS DISSERTAÇÕES PELO AUTOR E OUTROS.


ANIMALIDADE E O PSIQUISMO: 'EROS E O 
PSIQUÉ'.

From: mi@provedor.com.br
To: rbrd_redacaoshm@hotmail.com
Date: Sun, 28 Aug 2011 20:12:20 -0300
Ricardo, em complemento ao teu
texto: o poema abaixo é uma das
mais bonitas apresentações da re-
lação animal/humano que conheço.
No entanto, o poeta que o criou foi
muito mal sucedido no intento de
bem casar ambos dentro de si, em
mais uma das tantas provas de que
saber e ser o que se sabe são a mes-
ma coisa.
Abraço,
M.I.
................................
Eros e Psiqué
 
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
 
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.   
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.   
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
 
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

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----- Original Message -----
From: Ricardo Bing Reis
Sent: Saturday, August 27, 2011 4:43  
ANIMALIDADE E O PSIQUISMO. 
 
Aos meus amigos-médicos e TO-
DOS demais internautas,
a palavra  'animalidade', não no
sentido pejorativo, mas isto sim
no sentido antropo-zoológico da    
palavra, darwinianamente, me
cai à lembrança nitidamente em
algumas situações, que vou listar:
1- Evacuação: pense na mulher
     mais linda que conheces.
     Agora pense nela evacuando.
    Que tal?
2- Fome: pense no Dom João VI
    esfomeado comendo coxas de    
    frango sucessivamente, com
    boca cheia e engordurada;    
    mãos e roupas idem. Lembre
    das hienas...
3- Sede: após futebol, você be-
    be água direto da torneira,
    tal cão sedento ao pote pós
    passeio prolongado.
4- Sexo selvagem, que, se na
    categoria selvagem, se auto-
    justifica como animalidade. O
    carinhoso já soa diferente.
5- As 3 emoções básicas: medo,
    que apavora e faz fugir até fi-
    car a-cu-ado, sendo devorado/
    assasinado como presa pelo
    predador/bandido; raiva, que
    mal canalizada, para a agres-
    são, faz do bandido/assassino
    o predador do inocente; e a de-
    pressão, que funciona como u-
    ma desistência ou rendição,
    quando nada mais possa ser
    feito, ou por estar en-cu-ralado
    pós fuga ou já morrendo por as-
    sassinato, pós luta. Vide reação
    de uma gazela sendo devorada
    por leão, ainda viva, ou bando
    de leões comendo vivo um bú-
    falo que desistiu pela inutilidade
    da tentativa da fuga ou da luta.
    Resignação. Horrível de ver. Te-
    nho a esperança de que o nível
    de adrenalina nestas condições
    psicotise/esquizofrenise o animal,
    atenuando a dor física e até men-
    tal. A fisionomia de um animal
    nestas condições é marcante,    
    principalmente o olhar vago e
    desesperançoso. E a esperança
    é a última, mas que já está mor-
    rendo ali. Por isto, muito cuidado
    ao tirar a esperança de um paci-
    ente, é depressão na certa.
6- Cirurgias e procedimentos endos-
    cópicos onde vemos nossas en-
    tranhas inacreditavelmente ali ex-
    postas, anatomicamente e em
    funcionamento, tal nas cordas vo-
    cais, colonoscopia e cirurgias à
    céu aberto.
7- Trabalho de parto e, em especial,
     o parto normal/vaginal.
8- O próprio recém-nascido e toda a-
    quela sua fragilidade, total depen-
    dência e cereza de morte rápida
    em caso de abandono.
9- O corpo morto: é o que mais me
    causa perplexidade. Não tanto o
    cadáver em aulas de anatomia,
    pois aqui me gerava certa sensa-
    ção de impessoalidade pois não
    conhecera aquela pessoa viva,
    não tendo assim o contraste que
    vou descrever, fonte da perplexi-
    dade. Em velório, daquela pesso-
    a que você conversava ainda se-
    mana passada.
    Ou em alguém morrendo diante
    dos seus olhos. Falando por es-
    forço final e, então, apaga como
    se fosse o rompimento da resis-
    tência de uma lâmpada incan-
    descente, cedendo a luz ao breu.
    Em analogia, a cabeça da lâmpa-
    da corresponderia à cabeça da
    pessoa e, a resistência onde
    corre a corrente elétrica, o cére-
    bro onde correm os circuitos ele-
    trônicos neuro-bioquímicos. Eles
    se apagam tal e qual uma lâmpa-
    da, caracterizando a morte cere-
    bral, que é a correta definição clí-
    nica para a morte do corpo. E re-
    força o que já dissera anterior-
    mente no email 'Cérebro', de que
    somos o nosso cérebro e ele, cé-
    rebro, é nós.
 
Já o psiquismo muitas vezes nos a-
fasta da maior de todas as realida-
des, que é nossa animalidade. Ele
nos trouxe evoluções de tal sorte
que ficamos parecidos com não-a-
nimais: um cara numa sala ultra-mo-
derna em prédio comercial top em
Chicago, com seu tablet-mega-tudo 
e seu ultra-smart-phone, roupa de
grife, gel no cabelo, perfume, tv-hd,
vista para o horizonte do planeta in-
termediada por arranha-céus mira-
bolantes... E depois vai embora nu-
ma Lotus. Não, não pode ser um a-
nimal!
Mas chegando na sua mansão, vai
ao 'wc' e..., é um animal!
Ricardo Bing Reis. 

 

Clínica Bing Reis -Rua Silva Jardim, 88
Porto Alegre/RS clinicabingreis@hotmail.com