# BLOCO SEGUNDO
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       A VIDA COMO ELA É.
       DESCONTENTAMENTO.
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       TEMPO LIVRE:
       INCLUINDO "FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO".
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TEXTOS DISSERTAÇÕES PELO AUTOR E OUTROS.


DESCONTENTAMENTO POR IRRITAÇÃO/RAIVA.

From: rbrd_redacaoshm@hotmail.com
To: medicina1986_ufrgs@provedor.com
Date: Tue, 26 Jul 2011 19:50:38 +0000

Aos meus migos-médicos e TODOS os demais internautas,
as pessoas irritadas são iritantes. Irritam a si mesmas e à-
queles que com quem convivem, meros interlocutores, e
assim vai.
  Eu, muitas vezes, me irrito 24 vezes por dia, sendo que
durmo 8 horas, perfazendo quase uma vez a cada 20 minu-
tos em vigilia, só quando estou calmo. 
  Mas praticamente nunca atuo a irritação, nunca tendo i-
do à vias de fato em todos meus quase 50, exceto com um
colega aos 10 anos de idade naquelas saídas de colégio; e
com meus 2 irmãos. Mas brigas de criança com irmãos não
valem, pricipalmnte quando o mais velho tinha 10, eu 9 e o
caçula, mas mais forte dos três, 8 anos.
  Significa bom auto-controle da minha raiva, não pequena
segundo minha esposa. 
  É uma forma de tolerância e até compreensão, consigo e
com os outros. Mas internalizo minhas raivas, psicossomati-
zando na lombar. A bem dizer, seria isto uma forma de vias
de fato, onde agridiria minha própria lombar, como se me
auto soqueasse até sentir a dor.
; Sob esta forma de pensar, a psicossomatização seria uma
forma de masoquismo, que nada mais é que o auto-sadismo.
Já outros preferem descarregar, agredindo os outros, pas-
sivamente, verbalmente e/ou fisicamnte. Aí teríamos o sadis-
mo. Neste caso, seria tudo sadismo. Para fora ou o sadismo
propriamente dito; e para dentro, em auto-sadismo, dito ma-
soquismo. Como o sadismo é o fruto da irritabilidade, ambas
situações são raiva-dependentes.
  Esta semana morreu Peter Falk, um dos meus dois ídolos
dos 70's. Era o detetive Columbo do seriado de mesmo no-
me, "Os detetives". O outro era Hercule Poirot, também de-
tetive, da escritora Agatha Christie. O que eles tinham em co-
mum? Duas coisas. A primeira, neles mesmos: muita inteligên-
cia/perspicácia e, principalmente, muita frieza e auto-controle
de seus temperamentos na solução dos crimes. A outra coisa
era o fato de seus investigados serem assassinos "frios", pré-
meditados mas não vitimavam com requintes de tortura. A-
gressivos sim , óbvio, mas não ao grau máximo.
Já outros tem prazer e necessidade em torturar antes de
matar. O que quero dizer com tudo isto? Que existem graus
variados de agressividade, ira, raiva, ódio, irritação.
  Desde aquele amigo passivo-agressivo até um matador
descontrolado, serial-killer.
  Aí, já estaríamos entrando no campo do sociopata e psico-
pata, e que não serão nosso tema neste momento.
Vamos começar pelo irritado que não vai à vias de fato ou,
se vai, não chega a prejudicar tão significativamente sua víti-
ma, embora toda agressão física seja possivelmente crimino-
sa, e até a verbal, pelos danos morais.
  Embora cercado de advogados em minha família, nada sei
de direito e vou deixar por este pouco dito, que mesmo pou-
co, já pode estar errado.
  Basta juntar duas pessoas para que, agora sim, com toda
certeza, comecem irritações mútuas, em graus variados, mes-
mo que não aparentemente. E, se não houver a outra pessoa,
pode até demorar um pouco, mas o solitário acabará se irri-
tando por estar só, preferindo até se irritar com outrem, para
ele menos mal que a situação de isolamento.Muitas vezes gos-
to de estar só, sem ser só.
  Se você é casado, te 98,73% de chance de estar lembran-
do do seu casamento. Observo que existe 1,27% de casais
que não se irritam uni ou bilateralmente. É o casal margari-
na, que deve ser meio chato, irritantes não entre eles, mas a-
té aqui um casal estaria desencadeando irritação, agora para
quem contempla, isto parece garantido.
  Ouvi um programa de interatividade entre participantes e
um psiquiatra respondendo. A interlocutora perguntou por
que hoje tem-se tantas pessoas morando sozinhas. Respon-
deu que pensam antes estar sozinhas que mal acompanha-
das. E completou: ..."como toda pessoa casada é mal acom-
panhada, por consequência temos esta derrama de divórcios
por aí"... Mas notei que quis mais fazer uma graça que de
fato, um fato. Exagerou. Mas as risadas do pessoal no estú-
dio foram daquelas boas de ouvir.
  E aqueles todos que dizem que, se queres desunir um ca-
sal, basta uní-lo.
  Já vi casal se implicar, brigar todos os dias e o dia todo e
nunca se separar, embora ameaças diárias, por 50 anos cor-
ridos, e, ao morrer um, o outro fica falando saudosamente do 
falecido, vindo a morrer não muito depois pela angústia da
solidão, do vazio deixado pelo outro, à Romeu e Julieta. Co-
mo explicar isto? 
  Falta de dinheiro pode causar um clima de insegurança tal
que acaba por desencadear raiva por sentir-se prolongada-
mente ameaçado pelo medo e geralmente um acaba culpando
o outro; até dizendo algo indevido. Pronto, é o estopim para a
separação.
  Não é fácil um casamento resistir à prolongada e/ou grave
crise financeira sem que tenha uma fundação muito sólida do
relacionamento.
  As pessoas cri-cri, perfeccionistas e que exigem o mesmo
de seu companheiro, como se aquele comportamento dele
fosse o correto - e sempre se acham o correto - irritando-se
pois sempre estão irritadas e,pela cri-crilhice tenta te trazer ao
mesmo patamar.
  Cuidado, este tipo de pessoa nunca parará de contra-argu-
mentar, melhor ainda para ela se for um tons progressivamen-
te mais alto e irritadiço. É a gritaria generalizada. Péssimo am-
biente para crianças. O texto tomou rumo de temática terapia
de casal, mas não é este o objetivo, e sim a terminologia irri-
tação. É que, em se tratando disto, casamento casa.
  Voltando à miscelânea de circunstâncias, temos as crianças
muito pequenas ainda, 2 anos ou menos, com temperamento
forte e alto grau de raiva, trazendo a teimosia, a birra e ata-
ques de fúria em casa ou ambientes públicos, principalmente
em lojas de brinquedos e supermercados. Caso seja genético e
tal característica tenha sido herdado da mãe, tem ela mãe, a-
gora, a chance de ver na filha como é para outra pessoa lidar
com ela, mãe irritadiça; que paga geral, sobrando quase sem-
pre mais para o marido. Vice-versa se a irritabilidade do bebê-
criança veio da genética paterna.
  Tentei mudar de circunstâncias mas, caí de novo no ambi-
ente familiar e de casal. Mas agora vai: consultou comigo ago-
ra à tarde uma senhora de 83 anos que me disse ter tomado
  Lexotan no domingo pois fora tocar no piano uma música ma-
is elaborada e teve erros. Aquilo lhe causou tamanha irritação
que começou a ter palpitações. Isto é como se, por descarga
de raiva, desse choques elétricos em alguém, só que em si
mesmo, no seu próprio coração. É uma auto-eletrocutação.
  Disse: 'a senhora, provavelmente é uma pessoa perfeccio-
nista, que se cobra muito, também dos outros e, por conta de
tudo isto, contrastando com a realidade,&nbs p;se irrita e irrrita os
outros. Concordou. Então completei: veja só o que aconteceu,
a senhora foi se distrair e se divertir; conseguiu o contrário...
Em vida social, onde muito observo a raiva das pessoas é
no jogo de futebol entre amigos e também no trânsito. Mesmo
entre amigos, volta e meia o sangue esquenta e vem os pitos,
empurrões e até socos.
  Claro, se vai à via de fato, estamos entrando no campo da
criminalidade.
  Sem esquecer dos estádios, com briga de torcedores e de
torcidas, infiltradas até por brigões de grupos disfarçados de
torcedores, pretexto. Hooligans na Inglaterra.
  No trânsito as pessoas se fecham, se chingam, se anteci-
pam à outras pela vaga de estacionamento, sinais de luz por
carros que vem na velocidade da luz na auto-estrada, zigue-
zagues, fechadas, todos tipos de atitudes por raiva trazida de
casa ou adquirida ali mesmo. Pisca-pisca hoje deve ser um dos
opcionais nas revendas de carros.
  Sem falar nos espertinhos que vem por fora da fila para
conversão e se antecipam à todos entrando antes, lá na fren-
te, deixando bem claro que se acha melhor que todos nós, ba-
bacas à visão deles.
  Com certeza s ão assim em tudo na vida e tendem a pegar
um esquentadinho por aí, e a cobra fuma.
  Um paciente meu, de 22 anos, fez aquela antecipação de es-
tacionamento em lancheria e o baixinho prejudicado engoliu em
seco. Quando estava saindo da lancheria, viu o baixinho voltan-
do à pé, se aproximou e deu-lhe um tiro que o colocou na UTI
por 7 dias, com a bala à 2 cm da coluna vertebral lombar.
Dizem que os baixinhos são mais irritados. Não sei se é fato,
mas a história me fez lembrar disto.
  Na TV tinha aquele cara do "eu sou noooormall", o Ringue 12
no final dos 60's, mas que era mero teatro com o Ted Boy Ma-
rino, depois o Tele-Catch e agora o Premiere UFC.
  Estimula a gurizada a imitar. Deveria ser proibido, bem como
o box. As artes marciais, para quem insiste na modalidade de es-
porte agressivo, parecem mais elaboradas e disciplinadas. 
  Quando rosariense, no segundo grau, hoje ensino médio, ti-
nha dois brigões, muito marombados, que faziam musculação e
box para se pegaram mais ou menos semanalmente na praça São
Sebastião, na frente do colégio. Era uma coisa doentia. Sempre
me esforcei muito para ser grande amigo eles... nunca quis ma-
goá-los ou irritá-los...
  Parece haver uma inter-relação entre raiva, medo e depres-
são. Qualquer que seja a emoção primária, pela persistência e/ou
intensidade do sintoma, acaba por atiçar os outros 2 secundari-
amente, formando um círculo vicioso meio caótico, ou bastante.
  A raiva fomentada, reprimida e então transbordada, é a mãe
da sociopatia e psicopatia, mas assunto para depois. Talvez por
isto, Dante Alighieri, na Divina Comédia, classificcou a ira como
um dos 7 pecados capitais, por ser grave gerador de desordem
e desagregador de grupos sociais e, como diria ele mesmo, que
inferno dantesco ser assim ou tentar ajudar estes.
Ricardo Bing Reis.

 

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